Sindicato de hotelaria do Algarve promove abaixo-assinado por melhor salários

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Sindicato de hotelaria do Algarve promove abaixo-assinado por melhor salários

O sindicato da hotelaria do Algarve vai avançar com um abaixo-assinado para exigir o aumento dos salários dos cerca de 60 mil trabalhadores do setor na região, disse hoje à Lusa o coordenador regional do sindicato.

A decisão de avançar com um abaixo-assinado foi tomada na terça-feira pela direção regional da estrutura, por considerar que o turismo tem alcançado nos últimos anos “recordes históricos sucessivos, mas têm-se degradado as condições de trabalho e de vida da maioria dos trabalhadores do setor”.

Em declarações à Lusa, o coordenador regional do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve (STIHTRSA), Tiago Jacinto, disse que “a degradação da qualidade de vida dos trabalhadores, devido aos baixos salários “está a gerar um crescente descontentamento e desmotivação” dos milhares de funcionários do setor.

“A estagnação ou redução dos rendimentos, o aumento da precariedade, a desregulação dos horários, a intensificação dos ritmos de trabalho, o aumento da repressão e do assédio, a crescente limitação ao efetivo exercício dos direitos individuais e coletivos tem desmotivado os trabalhadores que se reflete na qualidade do serviço prestado”, sublinhou.

Segundo o dirigente sindical, caso as duas associações patronais do setor – a Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AIHSA) e a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) -, “não negoceiem as tabelas e valorizem os salários, de forma justa”, estima-se que este ano “mais de 50% dos trabalhadores” fiquem a receber o salário mínimo nacional de 635 euros.

“O que pretendemos é que os patrões repartam de forma justa pelos trabalhadores a riqueza por estes criada com o seu esforço, depois de vários anos de congelamento e de redução das retribuições salariais”, destacou.

Tiago Jacinto referiu ainda que o sindicato pretende celebrar um contrato coletivo de trabalho com a AHETA, lamentando que “ainda não tenha sido possível encontrar uma data para que se iniciem as negociações”.

“A AHETA ainda não indicou uma data, enquanto a AIHSA diz que só está disponível para dar um aumento que não chega a um euro por dia”, indicou.

“É lamentável e inadmissível que os patrões não tenham a mínima consideração pelas necessidades dos trabalhadores e das suas famílias, além do prejuízo que estão a causar ao desenvolvimento económico e social da região e do país”, referiu.

O sindicato da hotelaria do Algarve pretende recolher com o abaixo-assinado o máximo de assinaturas, “como forma de os trabalhadores demonstrarem o seu descontentamento e exigirem ao Governo e aos patrões a melhoria das condições de trabalho e a reposição do poder de compra perdido nos últimos anos”.